O site Reclame Aqui, usado por consumidores que querem se queixar de produtos ou serviços, comprou a Trustvox, startup que faz auditoria de avaliações de compras. A operação reforça a estratégia do Reclame Aqui, iniciada em 2015, de ampliar seu papel na decisão de compra do público.

“Das pessoas que veem ao site, 65% entram só para pesquisar e 35% têm problemas com as empresas. Desses [35%], só 10% reclamam de fato. Os outros 25% resolvem sua questão pesquisando outros relatos”, diz Edu Neves, copresidente do site. Por dia, 700 mil pessoas entram no Reclame Aqui.

A Trustvox foi criada em 2014 em Campinas (SP) e tem 1,2 mil clientes, como Centauro, Telhanorte, Ri Happy e Droga Raia. A empresa tem uma equipe de cinco pessoas e espera chegar a 40 até o fim do ano, diz Tatiana Pezos, fundadora e presidente da companhia. A Trustvox foi criada com investimento de R$ 1 milhão e vem operando no azul desde 2016, afirma a empresária.

O aumento da competição levou a companhia a buscar capital para impulsionar o crescimento. Vender o negócio, em vez de buscar aporte de um fundo, foi a decisão devido à dificuldade de a empresa investidores interessados em seu perfil. “O interesse pelas tecnologias de varejo está crescendo, mas bem devagar”, diz Tatiana.

Neves não revela quanto foi investido na compra da Trustvox, mas diz que o valor foi superior aos R$ 3 milhões aplicados há quatro anos na compra da Mooba, startup que reembolsa o internauta por compras feitas nos sites de varejistas parceiros, o chamado “cashback”.

Essa operação deu início à mudança de posicionamento do Reclame Aqui. Segundo Neves, a partir daí a companhia passou a explorar o uso de dados para entender o comportamento do consumidor. O serviço de cashback acabou não se encaixando nos planos do Reclame Aqui, que ficou com as tecnologias de mapeamento do consumidor, mas abriu mão da marca. A Mooba voltou a funcionar como empresa independente em abril de 2018.

O Reclame Aqui não divulga sua receita. O último dado disponível é de 2015, quando o valor chegou a R$ 24 milhões. Em abril do ano passado, a companhia recebeu um aporte de valor não divulgado do fundo DGF Investimentos. A companhia faz dinheiro vendendo a empresas o acesso a dados e estatísticas das buscas e comentários feitos pelos usuários. Atualmente, 700 grandes companhias, entre operadoras e bancos, são assinantes. De acordo com Neves, o serviço da Trustvox será adicionado sem custo a esse pacote a partir do segundo semestre.

Um dos objetivos da companhia é aumentar sua presença entre médias e pequenas empresas, diz o executivo. No plano também está a expansão internacional das operações.

Fonte: Valor Econômico.

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